domingo, 27 de maio de 2012

CARTA DE APRESENTAÇÃO


Carta de Apresentação da Confraria 



Como preâmbulo da Carta de Apresentação da Confraria Enogastronómica  Sabores do Botaréu  vamos falar de Águeda…

… remonta a 370 anos a.C. Foi habitada por Celtas, Túrdulos e Gregos e aparece referida em documentos da Reconquista, sendo provável que a razão do seu crescimento ande relacionada com a importância da ligação norte-sul com ponte sobre o rio Águeda.


A antiguidade da ocupação desta região é revelada por diversos monumentos megalíticos e pelo Cabeço do Vouga, importante estação arqueológica localizada junto do trajecto da via militar romana de Olissipo a Bracara.


É referida, em documentos de 1050 e 1077, tanto pelo seu nome primitivo Casal Lousado (lat. Casal Lousato) como pelo seu nome próprio latinizado Anegia, Agatha e Ágada. O seu nome tem origem na forma feminina do adjectivo  grego “ agathós-é-on” que quer dizer bom. Do agathé, boa, tiraram os romanos Agatha que usaram como cognome de mulher e que precedeu o actual nome de Águeda (assim lhe chamaram no concílio de Toledo de 606), sendo também ao mesmo tempo o nome dado a uma determinada espécie de pedras preciosas. Águeda significa pois, etimologicamente, BOA.


No Sec. XI, Águeda era um burgo próspero, com um comércio desenvolvido e o seu porto movimentado, abastecendo-se a si e às populações vizinhas de além Alcoba (hoje Caramulo)…


Águeda era ponto de apoio dos Caminhos de Santiago. Na sua albergaria ter-se-á recolhido em 1325 a Rainha Santa Isabel quando se dirigia em peregrinação a Santiago de Compostela.


O padroado de Santa Eulália, padroeira da vila, pertenceu ao ducado de Aveiro, tendo sido anexado pela Coroa no sec. XVIII, após a extinção daquele.

Em 1834, Águeda ascende à categoria de sede do concelho, por consequência da revolução liberal dando-se uma reforma administrativa devido à sua capital importância na estratégia politico militar da resistência à 2ª invasão francesa, pois possuía um hospital militar que socorria os feridos provenientes das batalhas, bem como com as lutas liberais e, mais tarde, com os combates travados em 1919 em disputa da ponte.


 Desde que foi elevada à categoria de concelho, Águeda começou a ter uma vida política bastante movimentada, mas foi sempre muito bem representada por nomes influentes da terra.


Em 1900 no Jornal do Comércio podia-se ler: “Águeda, vila e cabeça de concelho (distrito de Aveiro), na margem direita do rio Águeda, com uma população de 4 mil habitantes. O concelho tem 19 freguesias com 20.416 habitantes”.



No dia 8 de Julho de 1985, a vila de Águeda é elevada à categoria de Cidade.

Após todos estes dados históricos que colectamos de diversos artigos e depoimentos sobre as origens de Águeda, apetece-nos com um ar mais poético aqui inserir um pouco da obra de Adolfo Portela – Águeda.

E diz o seguinte:


A Praça era isto, pouco mais ou menos – meio palmo de terreiro, para logradoiro das sardinheiras, das louceiras, e das galinhas de toda a vida. O que não obstava a que, por esse tempo antigo, o mercado de Águeda fosse, como era realmente, de uma grande importância comercial. Peixe , hortaliça, frutas, cereais, de tudo ali concorria à fartura.

-Era por Águeda que se fazia então todo o comércio da Beira-Mar com as duas Beiras. Ovar, Porto, Aveiro, Torreira, São Jacinto, Costa Nova, tudo por ali passava com as suas mercadorias, graças a essa bela estrada do rio, que era por esse tempo a artéria principal da circulação comercial das terras de Águeda.

 Coalhava-se o rio de barcos e bateiras, em cada dia. E, mal as velas assomavam, lá abaixo aos Carvalhos de Paredes, logo das bandas da serra descia, a campainhar alegremente, a récua dos machos beirões que vinham a fazer carga. Barqueiros, sardinheiras, e almocreves, juntavam-se ali, pela Praça; e, logo, em torno deles, em grande vozeada alegre, as contadeiras da sardinha, as empilhadeiras, as mulheres do sal, disputavam entre si, a pragas e a murros, para ver ao fim quem apanhava a melhor freguesia.

 Aos dez e aos vinte, em maré cheia de boa pesca, os barcos ancorados no velho Cais das Laranjeiras, com os mastros em descanso, davam a ilusão duma esquadra de galés antigas que ali arribassem a ajoujar de riquezas. – Ah! E de verdadeira riqueza era esse tempo, então: pão com fartura, sardinha quase dada; só era pobre, a bem dizer, quem tinha o vício de mendigar.”


Por tudo o atrás descrito se poderá concluir que Águeda, ou o local onde hoje esta existe, foi através dos tempos importante   entreposto, usufruindo das valências que o cruzamento da Estrada Real (antiga via romana) com o rio Águeda lhe proporcionava.

Por terra vinham os almocreves de toda a região circundante incluindo os que desciam das serras limítrofes e que para além dessas levavam os produtos que até aqui chegavam ao chamado Cais das Laranjeiras, como era o caso da sardinha que durante muitos anos foi conhecida no interior como “sardinha de Águeda”…  Desde essas épocas remotas toda aquela zona ribeirinha fervilhava de gente, descarregando e carregando os barcos que ali aportavam e que desciam e subiam o rio desde Aveiro e da Murtosa, levando e trazendo uma grande variedade de produtos.

Daqui e do intercâmbio multi-racial será fácil perceber que  a diversidade de culturas, costumes e dos produtos transaccionados originaram uma riqueza gastronómica  nesta região que urge explorar, estudar, preservar e divulgar…

É essa a primeira e a principal  razão desta Confraria Gastronómica que aqui vos queremos apresentar.

Objectivo
Defesa e divulgação dos produtos tradicionais e de uma forma geral, dos usos, costumes e tradições de Águeda, nomeadamente os produtos gastronómicos e todos os saberes e tradições que lhe estão associados, como consta do artº 3º dos seus Estatutos.

Assim nas suas actividades inclui-se:
 a) Defesa e preservação da autenticidade, genuinidade dos produtos tradicionais e de uma forma geral, dos usos, costumes e tradições da região de Águeda;
b) Promoção da investigação relativa ao fabrico, ao consumo e à importância dos produtos gastronómicos tradicionais da região de Águeda, nos seus múltiplos aspectos, nomeadamente: receituário, arte e técnica tradicionais, produtos utilizados na sua confecção, evolução, cozinheiros e casas de fabrico famosas, relacionamento da arte popular, pesquisa e outros aspectos que permitam fazer uma reconstituição histórica dos produtos gastronómicos de origem ancestral e a sua evolução no tempo;
c) Divulgação e promoção dos produtos tradicionais e, de uma forma geral, dos usos, costumes e tradições da região de Águeda a nível regional, nacional e internacional, através das formas para o efeito consideradas mais adequadas;
d) Elaborar uma Carta Gastronómica da Região de Águeda e colaborar na publicação e actualização periódica de um roteiro da referida gastronomia;
e) Promoção e realização de eventos vários – relacionados com os produtos tradicionais e, de uma forma geral, com os usos, os costumes e as tradições da região de Águeda – e, nomeadamente, de feiras e festivais gastronómicos, bem como de simples repastos ou meros encontros de degustação.
f) Promover e apoiar as medidas tendentes à preservação e recuperação da fauna e da flora autóctones, que fazem parte integrante da Gastronomia da Região de Águeda;
g) Elaboração do Grande Livro Gastronómico de Águeda onde serão registadas todas as receitas e suas origens.
h) Afixação nas utilidades hoteleiras, de restauração ou produtores, de simbologia ou sinais distintivos de local recomendado, de cuja carta façam parte integrante produtos tradicionais gastronómicos da região, desde que produzidos ou confeccionados com total autenticidade;
i). Criação de um Selo que autenticará a origem dos produtos como sendo de Águeda.  A utilização desse selo nas embalagem dos produtos gastronómicos comercializados na região ou fora, está sujeita à autorização da Confraria, que deverá antecipadamente atestar do seu receituário e aprovar a forma e o local de fabrico.

 Tendo ainda em vista a realização dos seus fins, a Confraria poderá:
a) Editar livros, folhetos, textos, monografias, cartazes e outro material de informação e divulgação;
b) Promover a publicação de artigos de investigação e de divulgação na imprensa local, regional, nacional e internacional, e, eventualmente, premiar os melhores trabalhos;
c) Organizar concursos acerca dos produtos tradicionais e dos usos, costumes e tradições da região de Águeda;
d) Apoiar, juntamente com as entidades competentes, a divulgação dos produtos tradicionais e, de uma forma geral, dos usos, costumes e tradições da região de Águeda nas escolas dos diversos graus de ensino da região;
e) Promover acções de formação com o apoio de instituições públicas e privadas;
f) Colaborar com os órgãos locais, regionais e nacionais, da área do turismo, em todas as acções tendentes à divulgação e promoção dos produtos tradicionais e, de uma forma geral, dos usos, costumes e tradições da região de Águeda;
g) Fomentar a recolha de materiais relacionados com os produtos tradicionais da região de Águeda, visando a criação de um museu;
h) Organizar serviços ou formar e credenciar técnicos de apoio, com capacidade de estudo, assessoria e dinamização dos assuntos e áreas nas quais a Confraria deve ter intervenção.
i) Publicar estudos inéditos sobre as matérias que constituem os seus fins, e reeditar aqueles que se tenham tornado raros, promovendo, pelos meios ao seu alcance, a publicação de manuscritos de reconhecido valor histórico.
f) Agraciar com título Honorífico – Soberana Ordem dos Conselheiros do Botaréu, pessoas ou entidades de destaque no panorama Gastronómico, Cultural ou Cívico.

Por tudo isto, e depois de elaborados os estatutos e o regimento interno que irão nortear os destinos desta Confraria, julgamos estarem reunidas as condições essenciais para avançarmos com a sua constituição e eleição dos primeiros corpos sociais, pelo que foi constituída uma Comissão Instaladora, internamente chamada de Conselho dos Botaréus.





Águeda, Outubro 2011

O CONSELHO DOS BOTARÉUS

Acácio Augusto Silva

António José Rés

Benilde Ramos

Cristina Jesus

Eunice Neto

João Carlos Breda

José Francisco Neto

Leonor Neto

Manuel Albuquerque Neto

Manuel Farias

Manuela Fernandes

Margarida Santos

Maria João Garcia

M. Marta Pereira Rilo

















   

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