Com o seu I Capitulo a 8 de Março de 2009 a Confraria Gastronómica AS SAÍNHAS, de Vagos, é hoje uma das confrarias de referência do Distrito de Aveiro e a elegância das suas Confrades faz-se evidenciar de norte a sul do País nas diversas representações junto de outras confrarias.
O seu último Capítulo - o IV - realizou-se no dia 24 de Março de 2012, conforme foto acima tirada no Palácio do Visconde Valdemouro...
Sendo uma confraria exclusivamente constituída por mulheres, torna-a ainda mais graciosa...
Aquando do seu Primeiro Capítulo foram Confrarias madrinhas, respectivamente: Confraria dos Nabos e Companhia - Carapelhos - Mira e Confraria do Bacalhau - Ílhavo.
Como complemento a esta informação sobre as nossas amigas "SAÍNHAS" gostaria de publicar um excerto do texto lido pelo Confrade Manata, da Confraria Nabos e Companhia, aquando da entronização das confrades fundadoras d' AS SAÍNHAS...
...O verde dos pinheiros bravos, à mistura com uma ou outra camarinheira, empoleirados nas dunas das matas nacionais, impregnados de aroma de resina e maresia forte que nos invade as narinas a anunciar o oceano, é cenário comum a estes dois concelhos vizinhos e que povoou as nossas infâncias.
Afeiçoámo-nos a estas árvores que domesticaram as areias deste cordão dunar que a fúria do vento e os caprichos do mar faziam andar numa roda viva, quando palmilhávamos os caminhos florestais de Mira a Vagos para nos arrepiarmos na frescura das ondas, coexistindo, nós e os pescadores, em pacífica algazarra, mareando na confusão das redes, do praguejar rijo, dos barcos, dos bois, dos cabazes de peixe a saltar vivo, do ondear das ancas das peixeiras…
Em Vagos, onde a Ria já se anuncia em toda a sua pujança, também bate o coração da Gândara que lhe herdou um chão areento, quase estéril. Mas o Gandarês, combinação de toda uma linhagem rústica de migrações seculares de Norte e de Sul que o robusteceu para as exigências desta terra e deste mar, não baixou os braços: palmo a palmo, os nossos avoengos amansaram as valeiras plantando a mata para estancar as areias que esperneavam constantemente por força das tareias do vento, e, rasgou-a de cursos de água para enxugar charcos lodacentos e pantanosos e criar um chão firme onde pudesse enterrar a enxada e a rabiça do arado. É daqui, de uma terra humilde, por muito tempo esquecida na sua ruralidade que nasce a gastronomia Gandaresa. Neste chão maninho, que obriga a um trabalho quase heroico para garantir a côdea, as sardinhas na telha, o pitau de raia, as batatas assadas na areia e muitos outros, são lenitivo para tantas canseiras e provam que a nossa gastronomia tradicional não se confina aos produtos da terra: àquilo que lhe arrancamos juntamos a dádiva do mar. Outro manjar confirma ainda este facto: amansando-lhe a rebeldia que nos cede, generoso, o peixe, juntamos as batatas, as cebolas, os alhos, o vinho e até o azeite e assistimos, desta união da terra com o mar, ao nascimento da caldeirada.
É este o trabalho louvável das Confrarias Gastronómicas, o de promover e preservar a gastronomia tradicional de uma região. E a Confraria Gastronómica As sainhas sabe isso. Sabe que, enquanto confraria gastronómica, está vocacionada para comer mas fá-lo no espírito de divulgar a riquíssima herança desta nossa terra porque sabe também que ela pode ser a porta grande por onde entra um turismo guloso de saberes ancestrais e autênticos. E a provar o seu empenho na defesa do dito património imaterial vem, com as irresistíveis sainhas, juntar-se aos Nabos e Companhia, à Confraria do Bacalhau, aos Aromas e Sabores Gandareses, à Confraria Camoniana. Deste manjar de terra firme nos hão-de falar detalhadamente e nos darão o prazer de o degustar.